8 de mai de 2018

Uma parceria de sucesso: “O menino no espelho”

Logo no início das atividades preparativas para a Festa Literária de Leopoldina surgiu a ideia de uma parceria com o Polo Audiovisual de Cataguases, para a exibição de um filme durante a programação. Mas, não poderia ser um filme qualquer, teria que haver alguma relação com nossa cidade. Afinal, o objetivo maior da FLILEO é exaltar a leitura e a literatura e, principalmente, a literatura da cidade de Leopoldina. 

Assim, após o contato inicial, nosso pedido foi prontamente atendido e a exibição de “O menino no espelho”, baseado na obra de Fernando Sabino, foi autorizada. 

A partir dessa confirmação, a equipe organizadora começou a traçar estratégias para que a sessão cinematográfica fosse realizada e, mais que isso, fosse preparada pelos professores nas escolas. A Superintendência Regional de Ensino e a Secretaria Municipal de Educação convidaram os professores de língua portuguesa do município para uma reunião. Foi o início de mais uma parceria com as escolas e a FLILEO, pois a primeira já havia sido realizada na escolha do logotipo da Festa. 

Na reunião, a equipe organizadora apresentou diversas sugestões de atividades e os professores foram bastante receptivos e, além de terem gostado de usar o livro de Fernando Sabino nas escolas, acrescentaram mais algumas ideias a esse trabalho de preparação. A reunião foi muito produtiva, os professores levaram a proposta para as escolas e o resultado foi a grande procura pela exibição do filme. 

As três exibições inicialmente previstas não serão suficientes para atender às inscrições e, por isso, a equipe já está em contato com o Polo Audiovisual para abertura de mais horários para que todos os inscritos sejam atendidos. 

Assim, antes mesmo do início da primeira Festa Literária de Leopoldina, temos a certeza de que será um marco para nossa cidade e nossa educação. E, juntos, equipe organizadora e escolas farão a diferença.

Por que a exibição de “O menino no espelho”, baseado na obra de Fernando Sabino?


 
A escolha do título atendeu à expectativa da Comissão Organizadora da Flileo por dois motivos principais. Em primeiro lugar, pensamos numa obra que despertasse nos estudantes a percepção de que a produção literária pode ser apresentada de várias maneiras, dado que a comunicação se realiza em diferentes formas de linguagem. Um filme demanda uma forma de leitura diferente de um livro ou de uma fotografia. Nada melhor para demonstrar tal assertiva do que exibir um filme baseado numa obra inicialmente publicada no formato livro. Desta forma, abrimos oportunidade para os alunos trabalharem com dois formatos de leitura. 

O segundo motivo, o vínculo do filme com Leopoldina, encontra em “O menino no espelho” duas vertentes. Por um lado, o fato de que algumas de suas cenas foram filmadas em Leopoldina. Alguns estudantes vivenciaram a agitação em torno do trabalho realizado na cidade há poucos anos e outros, certamente, ficarão tão encantados quanto, ao verem as imagens em movimento na tela. Por outro lado, no autor do livro que deu origem ao filme, Fernando Tavares Sabino, encontramos profundas ligações com Leopoldina. 

Fernando Sabino nasceu em Belo Horizonte em 1923 e faleceu no Rio de Janeiro em 2004. Era filho de Domingos Sabino e Odete Lacerda Tavares, ambos nascidos em Leopoldina, ele em 1881 e ela dez anos depois. Fernando era neto paterno de Nicola Carmelo Rosario Savino, nascido em 1852 em Ispani, província de Salerno, região da Campania, na Itália. A avó paterna, Angela Maria Grazia Apprato, nasceu na mesma localidade em 1855. Ambos fazem parte do grupo de imigrantes italianos que já vivia em Leopoldina em 1880, quando começou a tomar vulto a imigração italiana para nosso município. 

O avô materno do autor de “O menino no espelho” foi o jurista Fernando Pinheiro de Souza Tavares, que aqui exerceu os cargos de Juiz de Órfãos e de Promotor Público, tendo falecido em 1902, em Leopoldina. A avó materna foi Maria da Glória Lacerda, nascida e falecida em Leopoldina, filha do pioneiro Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda, um dos povoadores do Feijão Cru. Maria da Glória era prima do marido Fernando, por ser ele neto de Albina Joaquina de Lacerda, irmã de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda. 

Portanto, os ancestrais de Fernando Sabino representam dois importantes aspectos da história de Leopoldina: o povoamento do Feijão Cru e a imigração italiana em Leopoldina. 

Lembramos, ainda, que o pai do escritor, Domingos Sabino, viveu em Leopoldina até 1909, tendo sido o que hoje pode ser considerado um empreendedor. Além de trabalhar com o pai Nicola no famoso Salão Recreio, uniu-se a um farmacêutico da cidade para lançar, em 1904, uma fábrica de água mineral. E o vínculo da família não se perdeu com a morte dos antepassados, já que os filhos de Domingos, todos nascidos em Belo Horizonte, frequentaram Leopoldina e aqui mantinham relações de amizade até, pelo menos, a década de 1970. Netas de Domingos Sabino ainda hoje se referem à casa de seus parentes que existia na “pracinha do ginásio”, onde hoje existe o edifício Athenas. 
Glaucia Costa 
e Nilza Cantoni 

"Bastidores da filmagens do longa metragem "O menino no Espelho", de Guilherme Fiúza com produção de André Carrera, da produtora Camisa Listrada. O Filme é baseado na obra homônima do escritor mineiro Fernando Sabino, cujos pais nasceram em Leopoldina. Curiosamente ao lado do prédio do Ginásio usado nas filmagens, existiu o "Salão Recreio" em que o avô do escritor, o Italiano Nicolau Sabino servia sorvetes, então uma novidade em Minas Gerais no início do século XX" por lucleopoldinense

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